O Terror

A dificuldade de assumir a postura abertamente pela Terreur mora, acho, no fato de que o movimento que critica a Margaret – iguala culpa e acusação e vê no justiciamento coletivo uma opção pouco ideal, mas válida – não abriria mão das leis conquistadas para garantir direitos das mulheres. Aí, fica meio confuso desistir do sistema e dizer “está na lei” ao mesmo tempo.

As delegacias não acolhem as brasileiras estupradas, fato. O sistema judiciário é machista como todo o Brasil é (apuro uma matéria sobre o tema agora). Mas confiar o julgamento ao mercado de atenção que é a internet é de uma aceitação a esse mercado que me arregala os olhos. Nele, a resposta só pode ser do tamanho da onda que uma mulher for capaz de provocar. Que os coletivos se coloquem como fábricas de ondas disponíveis a qualquer mulher que queira causar uma não me tranquiliza.

Falando assim parece que não entendi nada sobre o que o caso Weinstein provocou, uma tomada de consciências que nada mais é do que uma onda. Sim, é uma onda. Mas no início do fenômeno estão duas reportagens importantes, que parecem ter seguido as regras jornalísticas de checagem, contextualização e espaço para todos os envolvidos.

A exposição é positiva. Mas ela não garante reparação e talvez esperar e aceitar isso dela seja pressa, uma pressa revolucionária. É sobre esse ponto que falam também a Catherine Deneuve1 na sua segunda carta aberta, esta assinada sozinha, e uma moça que comentava uma polêmica brasileira de 2017 que, agora que busco o link, vejo que não está mais disponível. Uma pena.

Fecho com a Atwood: direitos humanos para as mulheres são direitos humanos, ponto.

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