O Havaí baniu a oxibenzona para proteger seus corais

Em Maragogi, no nosso litoral, os barcos amanhecem à espera de turistas para conhecer os corais

O Havaí fez um pouquinho de história esta semana, quando o governador David Ige sancionou a lei que proíbe filtros solares químicos a partir de 2021. Antes dos havaianos, vi só parques aquáticos mexicanos banirem fórmulas com oxibenzona. O químico é um disruptor endócrino (que mexe com os hormônios) e atrapalha o desenvolvimento dos corais, matando recifes inteiros.

Fiz uma matéria para a Revista Trip no ano passado (link no comentário), quando o Havaí começou a debater o problema. A lei não passou em 2017, em parte porque não se concordava em como aplicá-la – revistar sacola de praia dos banhistas? Agora, o texto é simples: não pode vender produto com oxibenzona e/ou metoxicinamato de octila (octinoxate) em todo o estado.

>> O SOL JÁ FOI MAIS SIMPLES

A Bayer, dona da Coppertone, não gostou e disse ao site Fast Company que eliminar ingredientes considerados seguros pela FDA (a Anvisa americana) restringe as opções dos clientes e atrapalha a prevenção do câncer de pele.

A Bayer e toda a indústria sabe que esses químicos não são os únicos – nem mesmo estão na maioria das fórmulas, apesar de ainda bem presentes. Também sabe que a FDA não controla a indústria cosmética pois esta dita suas próprias regras pela Cosmetic Ingredient Review, entidade privada bancada pelas próprias fabricantes.

Sabe quem mais tem recifes enormes além do Havaí? O Brasil. Quando entrevistei o cientista que coordenou o estudo em que se baseia a lei – e que a Bayer contesta –, ele se disse bem preocupado com o nosso mar. Pude ver como o assunto está engatinhando em dezembro, quando visitei Maragogi (AL). A bordo do barco que nos levava, os turistas, para visitar os corais, o guia e biólogo pediu que o pessoal aproveitasse o trajeto para aplicar o FPS. Se deixasse para fazer lá, poderia ser “ruim pros corais”.

Chegando no recife, além de engarrafamento de paus de selfie, o que vimos foram corais enormes, num mar aberto lindo, mas todos cinza. A mesma cor que vi nos estudos sobre a morte dos corais. Para quem nunca tinha nadado num recife na vida, aquilo tudo era bonito. Mas a lembrança das fotos do Havaí me dizia: isto deve estar morto.

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