Isso me fez lembrar

Do cartaz que vi na avenida 18 de Julio, em Montevidéu, em setembro passado. Era sobre um tapume de obras e, se não me engano (posso estar misturado duas memórias que marcaram a visita), cobria os últimos retoques da primeira loja Renner em solo uruguaio. Dizia algo assim: “Passe tranquila. Aqui respeitamos as mulheres”. A condescendência me irritou muito. Quem é você, incorporadora, para me dar passagem na rua?
Que uma incorporadora pretenda saber o que me deixa intranquila para, em seguida, me acalmar é o fim da picada. Não espero do marketing em geral nada além de um oportunismo idiota e entendo o raciocínio: o workshop interno com os pedreiros custou dinheiro, mais vale que devolva pontos de boa imagem à marca.
Mas que deduzam que é essa é uma mensagem aguardada por mulheres adultas é irritante. Me ofendo como pessoa que anda na rua e me ofenderia se fosse um pedreiro. O cartaz supõe um poder sobre as mentes e vozes da equipe bem pouco saudável numa relação de trabalho e, sem dar detalhes do que exatamente controla, expõem todos os empregados como delinquentes à cidade.