Com a palavra, o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

Imagem do curtametragem "Pendências", de Karla Keiko [Foto: Sara Bonfim]
Quando ocorre uma contratura (o termo certo para a popular “rejeição”), a indicação médica é fazer um novo implante, diz o médico

A artista Karla Keiko teve uma experiência forte e dolorida após optar por um implante de silicone nos seios. As próteses deformaram o corpo dela, ela repetiu a cirurgia, não teve seu pedido de tamanho atendido e, por fim, fez a remoção em maio deste ano. Sua história está aqui no Calma e, em parceria, também na VICE. Por causa dela, falei com o Dr. Luciano Chaves, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), sobre retirada de prótese.

MAIS: HISTÓRIA DE UMA RETIRADA

Calma. Quando a paciente consulta para fazer um implante, o médico fala da possibilidade de retirada?

Luciano Chaves. Não. A Orientação de rotina para a paciente é: “Olha, você está colocando um produto com prazo de validade”. Não existe prótese definitiva, ok? As indústrias nos recomendam, a partir dos dez anos de implante mamário, uma avaliação mais rigorosa em termos de exame de imagem: ecografia, mamografia, ressonância magnética da mama. Outro ponto que orientamos sempre é: “Você está pondo um produto que é um material heterólogo, isto é: não é do seu organismo”.

O que isso significa?

Se você colocar um parafuso na sua perna, vai fazer uma cápsula. É uma reação imunológica. Todo organismo que recebe um material heterólogo faz isso. Em volta da prótese, essa cápsula pode ser fina, mas também pode ser grossa e endurecer a mama. Se endurecer, chama-se contratura capsular. Isso acontece em 2,5% a 3% das pacientes.

É o que conhecemos como rejeição de prótese?

A palavra não é rejeição. É hiper-reconhecimento. O organismo não expulsa, faz uma reação imunológica.

Quando existe contratura, a saída mais indicada é uma nova prótese ou a remoção?

Aí, retira-se essa prótese, retira-se essa cápsula espessa que é a contratura e recoloca-se uma nova prótese. Não quer dizer que essa paciente vá desenvolver nova contratura.

E se não houve contratura capsular, mas a pessoa se arrependeu? A cirurgia é reversível?

Claro que é. Só que, quando você põe o implante, a mama está bonita. Você retira e o formato é, na maioria das pacientes, inferior ao que estaria com a prótese. Se o médico conseguir fazer um ajuste de pele para deixar uma forma razoavelmente satisfatória, tudo bem. 

Algumas mulheres dizem ouvir do médico que ele não garante o resultado em caso de remoção.

Isso realmente é verdade. Quando a mama está com uma forma boa e aí você deixa ela sem a prótese, o resultado torna-se uma incógnita. 

A retirada de prótese está sendo mais discutida hoje na comunidade médica?

Não estou vendo isso. Não existe um debate “vamos orientar paciente e retirar prótese”. Muito pelo contrário. O que existe hoje é um movimento gigantesco de inclusão de próteses, que hoje são muito melhores e mais modernas, cada dia mais resistentes e com menor índice de intercorrências e problemas.