Bem-vinda de volta, Naomi

Adeus, PDFs de internet e relíquias de sebos: “O Mito da Beleza” volta às livrarias brasileiras pela editora Rosa dos Tempos

Quando Naomi Wolf lançou este livro, que no ano passado custava mais de R$ 200 em sebos, as cirurgias plásticas migravam do reino das celebridades para o orçamento da classe média americana. As revistas femininas se especializavam no caminho dúbio entre afirmar liberdade, trabalho e sexo e exigir leitoras mais magras, jovens e loiras. As dietas para mulheres explodiam e pouco se falava de exageros.

O ano era 1991 e a distância só aumenta os motivos para conhecer, hoje, O Mito da Beleza, que a editora Rosa dos Tempos felizmente devolve às livrarias (490 pág. R$ 69,90). É porque tanta coisa mudou que ele ainda vale a pena. Enquanto silicones vazados ficaram no passado – uma lembrança triste que associamos, no coletivo, a travestis empobrecidas – milhares de mulheres debatem, sem ajuda da comunidade médica, sintomas que se repetem em torno das próteses – A.S.I.A, breast implant syndrome.

Não são mais as profissionais de tailleur que pulam almoço para emagrecer, mas meninas de 12 anos cuja anorexia arrasa as chances de um mínimo de autoconfiança. E a publicidade, até ontem desavisada das imagens reais, de onde teria tirado as ideias das últimas décadas? Este livro não é só um diálogo entre duas épocas que se complementam, é uma conversa pessoal sobre dor, dinheiro e medo.

Falei sobre ele em dois vídeos, sobre a dor da beleza e como aprendemos a fazer dela uma amiga, e sobre o ideal que nos pressiona todos os dias.

 

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